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Para que usar mapas mentais?
Um recurso pode ser bonito, elegante e bem
estruturado, mas se não tivermos o que fazer com ele, certamente não vamos nos
interessar. Este artigo tem como ponto de partida os resultados
que podem ser obtidos com mapas mentais, de forma que você possa saber
se eles serão úteis para você.
A lista não é necessariamente final, e nunca será, já
que você ou outro mapeador podem descobrir e inventar novas aplicações a
qualquer momento.
Cada link a seguir contém uma aplicação de mapas
mentais. Clicar em um link conduz a uma descrição de como o resultado
pode ser concretizado com um mapa mental.
1) Manter documentos e
endereços de sites relacionados a um projeto ou objetivo em um único
local, podendo abri-los ou acessá-los diretamente a partir desse local
2) Dispor de um resumo estruturado dos tópicos
relevantes de um assunto ou artigo, para consulta e reativação rápidas
3) Dispor de um método estruturado de estudo
e 4) Facilitar a extração da essência de um conteúdo
5) Melhorar a qualidade de um produto ou serviço por
meio de uma lista de verificação (checklist)
6) Pré-estruturar e reestruturar rapidamente um
produto semântico
7) Integrar conteúdo de várias fontes
8) Integrar dinamicamente as idéias produzidas por
um grupo
9) Registrar de forma sintética um procedimento
10) Dispor de uma ferramenta para brainstorm
11) Dispor de recurso de apoio cognitivo em
apresentações
1) Manter documentos e endereços de sites
relacionados a um projeto ou objetivo em um único local, podendo
abri-los ou acessá-los diretamente a partir desse local.
Os melhores programas de mapas mentais dispôem do
recurso de hyperlinks, de maneira análoga ao MS-Office: você cria o
hyperlink e depois pode abri-lo quando quiser. No caso de mapas mentais,
um hyperlink é inserido em um tópico e representado por um ícone. Assim
você tem o texto do tópico e o ícone para identificar o hyperlink
(figura).

Tendo
o mapa mental estrutura de árvore, você pode criar categorias e
detalhamentos. Por exemplo, você pode ter como tópicos organizadores
"Docs" e "Sites". Dentro deste você pode ter links para as home pages
dos sites de interesse. Para cada tópico de home page, você pode ter
subtópicos com hyperlinks para as páginas mais relevantes.
Manter links para o que é relevante para um
objetivo em um único local é uma forma de manter o controle sobre o que já foi feito e ter
boa produtividade no acesso, consulta e edição.
2) Dispor de um resumo estruturado dos tópicos
relevantes de um assunto ou artigo, para consulta e reativação rápidas
Por vezes você consegue se lembrar de algo se tiver um
pista para o algo, como no caso de lembrar de uma música que não quer
vir: ao se lembrar do começo ou de um trecho, toda a música (ou pelo
menos tudo que você sabe dela) é lembrado.
Um mapa mental pode servir como um sumário
organizado de um conteúdo. Muitas vezes o conteúdo nos chega em formato
discursivo, cheio de material sintático e portanto não significativo
para uso daquele conteúdo, e possivelmente desorganizado, isto é, idéias
relacionadas estão dispersas, distantes umas das outras. Um bom mapa
mental de um assunto permite organizar o conteúdo e registrar
palavras-chave que nos permitem recuperar o que sabemos em um formato
melhor e mais apropriado para uso. Como exemplo, veja o mapa mental do
IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) clicando na figura abaixo..

Isso também
pode ser feito em formato de texto estruturado, com tópicos sintéticos e
itens; fazê-lo em um mapa mental
permite acrescentar imagens que facilitam a memorização e a lembrança,
além de proporcionar melhor estrutura visual, de forma semelhante ao que
ocorre em uma planilha digital, cujas estrutura matricial, linhas e
cores facilitam o reconhecimento da estrutura lógica do conteúdo.
3) Dispor de um método estruturado de estudo
4) Facilitar a extração da essência de um conteúdo
Há vários métodos de estudo, que em geral consistem de
uma combinação de leitura, elaboração de perguntas, resolução de
exercícios, elaboração de resumos e diagramas, aplicação de conteúdo a
problemas e outras possibilidades.
A elaboração de um mapas mental pode ser usada como um
passo interessante em uma estratégia de estudo, porque nos conduz a
selecionar o que mais relevante em um conteúdo e representá-lo de forma
sintética e organizada. Posteriormente o mapa mental poderá ser usado
como recurso de revisão rápida.
Além de melhorar o rendimento do estudo pela síntese e
organização, a elaboração de um mapa mental de um tema conduz também a maior convivência com o tema, que
acaba sendo repassado várias vezes até que se
esteja satisfeito com o produto.
5) Melhorar a qualidade de um produto ou serviço por
meio de uma lista de verificação (checklist)
De vez em quando encontramos erros e defeitos em
produtos, conforme o caso. Por exemplo, já os vimos em capa de vídeo,
comerciais de televisão, e-mails formais, livros e documentos de
projetos. Por vezes um "pequeno" esquecimento pode ser crítico, como no
caso do cirurgião que operou o pé saudável ou esqueceu um instrumento
no corpo do paciente.
Uma das soluções para esse problema é ter uma etapa de
controle de qualidade ou uma simples atividade de revisão, que seja um
último olhar geral. Uma forma de controlar isso é através de uma lista de
verificação ou checklist, contendo os itens e aspectos a serem
verificados, e checá-los um a um.
Mapas mentais podem ser usados para elaboração de
checklists, seja com texto apenas ou com ilustrações para facilitar a
lembrança dos itens a serem verificados. Em um mapa mental também é
fácil criar categorias que reduzam o escopo de pensamento em um momento. Por exemplo,
um checklist de faxina para aquela diarista que vive esquecendo coisas
pode ser organizado em sala, quarto do casal, quarto do filho e assim por diante.
6) Pré-estruturar e reestruturar rapidamente um
produto semântico
A estrutura semântica de um documento é vital para a
qualidade do produto final e a produtividade de sua elaboração. Por
exemplo, considere um plano de curso: sua estrutura é usada pelo
professor não somente para documentar o curso; é usada para sua concepção. A estrutura guia o professor nas definições que tem que fazer:
objetivos, conteúdo, recursos e tudo que é preciso para direcionar-se.
Um plano de curso mal formado pode conter omissões ou ser confuso. A
escola pode fornecer um modelo de plano, mas para atender suas
necessidades e não as do professor, que então deve completar a estrutura
de concepção.
Um outro caso é a redação de um livro. Acima da
organização em partes, capítulos e seções, há a organização lógica das
idéias: há dependências entre elas, o que impõe uma seqüência de
apresentação e aprofundamento. Se as idéias para o livro ainda não
estiverem totalmente aprofundadas, o autor pode descobrir lá pela metade
do livro que tinha que ter mencionado uma idéia dois capítulos atrás, o
que o obriga a reescrever boa parte do que vem depois. Ter
antecipadamente a visão de todas as idéias envolvidas e suas relações
garante que, quando a redação for feita, o nível lógico está estável e
menos sujeito a mudanças de maior impacto, que tanto afetam a
produtividade e comprometem prazos.
Mapas mentais permitem trabalhar com rapidez a
estrutura semântica antes da redação. As idéias são inseridas de forma
sintética em um mapa mental, com algum detalhamento na forma de
subtópicos. Capítulos ou partes são representados como tópicos de nível
superior. Se o autor estiver com dificuldades para manter a estrutura completa em sua mente,
o mapa mental serve de apoio,
além de permitir a visualização de todas as idéias em um mesmo campo
visual, o que por sua vez permite enxergar melhor as relações entre
as idéias e detectar anomalias estruturais enquanto é barato mudar.
Mapas mentais tornam também fáceis as mudanças, que em software são feitas
arrastando-se tópicos com o mouse, tornando possível uma completa
reestruturação de centenas de idéias em minutos.
Outras aplicações nessa linha seriam a pré-estruturação
do conteúdo de um site e planejamento de atividades. Alguns programas de
mapas mentais possuem interface com o MS-Project, o que permite, se
necessário, migrar rapidamente a estrutura e fazer o detalhamento e
complementação subseqüentes do planejamento em ferramenta específica.
7) Integrar conteúdo de várias fontes
Uma tarefa potencialmente improdutiva de um autor é a
integração de conteúdo de várias fontes. Para certos trabalhos, como
dissertações e monografias, isso pode envolver dezenas de publicações. O
desafio aqui é manter o controle do conteúdo, sabendo onde estão as
informações e juntando idéias relacionadas de forma a permitir a
filtragem e a identificação do que é relevante para os objetivos.
Um método usado pelos autores é o fichamento de cada
fonte. Nesse caso ainda ocorre muita fragmentação, cujo tratamento
requer ainda muita releitura, caso o autor não tenha uma memória
prodigiosa.
Uma forma de integrar conteúdo de várias fontes com mapas mentais é mapear
cada fonte individualmente e depois fazer um mapa mental maior que
representará o conteúdo integrado. Se houver uma fonte principal, o
processo pode ser acelerado mapeando-se essa fonte e depois apenas
extraindo-se idéias relevantes das demais e inserindo-as no mapa mental da
fonte principal.
Se o conteúdo fragmentado está em sua mente, você tem
a opção de ir colocando cada fragmento de conhecimento em um mapa mental
para depois, a partir da visualização conjunta de todos, procurar suas
relações e trabalhar a integração.
8) Integrar dinamicamente as idéias produzidas por
um grupo
Freqüentemente trabalhamos em grupo, seja na escola ou
no trabalho, como no caso de reuniões estratégicas ou de trabalho
e para trabalhos escolares. Para serem mais frutíferas, essas reuniões
dependem de que as idéias produzidas sejam integradas em um plano ou
incorporadas a especificações de um produto, por exemplo. Muitas vezes idéias são
perdidas porque muda-se o assunto antes de registrar-se uma idéia, ou
possivelmente alguém diz algo que nem é avaliado. Pode haver alguém que
esteja fazendo o registro do que é produzido, o que requer uma
integração posterior.
Pode-se melhorar o rendimento do trabalho em grupo
usando-se um mapa mental como produto das atividades. Por exemplo,
considere uma reunião para definir prioridades de obras, como para um
município ou condomínio. O ponto de partida é uma lista pré-elaborada
que alguém levantou. A lista seria inicialmente inserida no mapa mental.
Idealmente haveria um computador no ambiente e o mapa mental estaria
aberto em seu programa. Quando se chegasse a um consenso de que certa
obra é prioritária, o tópico daquela obra seria movido para a primeira
posição. Se for aprovada a sugestão de alguém de categorizar as obras em
críticas, importantes e secundárias, o operador do programa criaria os
tópicos correspondentes e a discussão passaria a definir quais obras
encaixam-se em qual categoria. Após, seriam discutidas as prioridades
dentro de cada categoria. Note que com um método de trabalho apoiado por
uma ferramenta, o foco das discussões se torna comum, seja para
convergência ou divergência.
9) Registrar de forma sintética um procedimento
Procedimentos são muito comuns, como por exemplo instruções para
instalação e operação de aparelhos e procedimentos técnicos em empresas.
Empresas em processos ISO de qualidade são inclusive obrigadas a manter
seus procedimentos documentados e acessíveis. Mas, quando alguém vai aplicar
tais procedimentos, as informações de que precisa são uma parte apenas
do que está escrito, que inclui elementos não técnicos como autores do
documento, outros envolvidos e elementos de diagramação.
Pode ocorrer que procedimentos documentados o sejam de
uma forma não exatamente apropriada para serem usados. Quem
aplica um procedimento não precisa saber quem elaborou o procedimento ou
o documento, por exemplo; precisa saber o que deve ser feito, como
fazê-lo, cuidados a tomar, coisas assim ligadas à prática. Também o
formato adotado pode dificultar a aplicação: informações que devem ser
consideradas juntas estão em locais diferentes ou informações requeridas
para um determinado passo estão distantes da descrição da ação. Pessoas
conhecedoras do procedimento não precisam de um documento para
executá-lo; tais documentos são mais úteis para iniciantes. Dispondo de
documentos muito discursivos ou semanticamente mal formados, o aprendiz
terá o trabalho extra de reorganizar o conteúdo para poder pô-lo em
prática.
Mapas mentais podem contribuir em tais cenários.
Primeiro, registrar um procedimento em um mapa mental já induz
naturalmente à filtragem, síntese e estruturação. No primeiro nível
ficam os passos do procedimento e nos níveis inferiores os detalhes e
conhecimentos requeridos. Mapas mentais de procedimentos mais complexos
podem ter níveis agrupadores, para fases ou etapas. A pessoa que vai
seguir os passos terá então uma seqüência natural de ações, com detalhes
de uma ação no mesmo escopo (um ramo do mapa mental) e terá um fluxo com começo,
meio e fim ao invés de uma grande massa de informações desestruturadas.
Exemplos desse tipo seriam o mapa mental de exportação
do SEBRAE (veja
www.mapasmentais.com.br/modelos/negocios/negocios.asp) e o.mapa mental de análise
sintática (acesse
www.mapasmentais.com.br/modelos/portugues/portugues.asp).
Note que mapas mentais não constituem a essência dessa
solução; a base é uma boa estruturação de conteúdo, "boa" significando
voltada não para informação mas sim para ação. Mapas mentais no caso constituem uma boa opção para a elaboração e para a
representação dessa estrutura e dos elementos a ela relacionados.
10) Dispor de uma ferramenta para brainstorm
Em um brainstorm, por ser este uma estratégia para
produção de ídéias, é natural que haja grande quantidade de material a
ser tratado, isto é, avaliado, classificado, filtrado e possivelmente
planejado. Um brainstorm requer uma forma de registro das idéias -
memória - para permitir posteriores recuperação e tratamento.
Um programa de mapas mentais pode ser usado como
ferramenta de brainstorm, em particular aqueles que inserem tópicos
mediante simples digitação, como o InteliMap e o MindMapper:
digita-tecla Enter, digita-tecla Enter, digita-tecla Enter... Essa
facilidade permite à ferramenta acompanhar melhor o ritmo por vezes
frenético de fluxo das idéias.
Após a fase de geração das idéias, pode-se eliminar
idéias removendo-se tópicos. Pode-se também organizar idéias,
identificando-se por exemplo que uma idéia é detalhamento de outra e
movendo-se o respectivo tópico para o seu pai. Se houver dúvidas sobre a
qualidade de um idéia, pode-se por uma borda no tópico correspondente
para marcá-lo para avaliação posterior. E se não se quer jogar qualquer
idéia fora, dentro do princípio de que pode-se provar que uma ídéia é
boa mas não o contrário, pode-se salvar o mapa mental original como
histórico.
E se o brainstorm for em grupo, aplica-se o
descrito acima sobre o uso de mapas mentais para integração.
11) Dispor de recurso de apoio cognitivo em
apresentações
Audiências, como alunos em salas e público em
auditórios, podem ter comportamentos e estados internos variados:
enquanto alguns estão interessados e atentos, outros estão dispersos e
"fora". Pode ocorrer que uma pessoa perca um
conceito importante, o que faz com que ela também se perca na compreensão do
que vier depois. Também pode acontecer que uma pessoa esteja com
sobrecarga de informação, o que também prejudicará seu acompanhamento
posterior.
Um apresentador pode colaborar para essa situação
usando um mapa mental como apoio visual para a audiência acompanhá-lo.
Por exemplo, no início ele apresenta um mapa mental com o sumário do
conteúdo. Quando vai abordar um tópico, ele mostra para a audiência onde
está aquele tópico no mapa mental. Se quiser fazer uma revisão rápida,
ele pode fazê-la com base no mapa mental. De fato, o mapa mental serve
como um "mapa" análogo aos geográficos que permitem à pessoa situar-se
no contexto do conteúdo. Na nossa experiência de professor e no papel de
público, a didática apoiada por diagramas multiplica a capacidade de
acompanhamento dos participantes.
O que vai servir de mapa de apoio cognitivo não
precisa ser um mapa mental; o melhor diagrama é o que tem sua estrutura
sintonizada com a estrutura do conteúdo. Se o assunto for anatomia do
corpo humano, por exemplo, nada melhor do que uma figura que contenha os
elementos essenciais sendo abordados, como desenhos esquemáticos dos órgâos.