QUALIDADE DE
MAPAS MENTAIS
Idéias Organizadoras e Mapas Mentais
Organize o pensamento e melhore a qualidade
de seus mapas mentais
Por
Virgílio Vasconcelos Vilela
Resumo
São
apresentados os conceitos de idéias organizadoras e classificações, com vistas a
sua aplicação à melhor organização do conteúdo de mapas mentais. É
mostrado como as idéias organizadoras afetam o pensamento de quem as lê e como a
qualidade de uma classificação afeta a produtividade e a experiência de leitura
e aprendizagem de conteúdos semânticos em geral.
Sumário
Introdução
O conceito essencial
Objetos organizadores
Idéias organizadoras
Classificações
Níveis múltiplos e hierarquias
Múltiplas classificações
Efeitos de idéias organizadoras e classificações no
pensamento
Efeitos
de uma idéia organizadora
Efeitos de classificações
Qualidade de classificações
Aplicabilidade
Aplicabilidade em geral
Aplicabilidade em mapas mentais
Conclusão
Introdução
Um fato corriqueiro
é de vez em quando nos depararmos com uma grande quantidade de coisas de algum
tipo. Por exemplo, você deve ter muitos livros, muitos CDs, talvez muitas
roupas. Você vai a uma cozinha e lá tem talheres, pratos, copos, panelas,
eletrodomésticos, itens de despensa. Além de existirem em
quantidade, os itens podem estar em estados variados: guardados, em uso, usados.
No disco do
seu computador, há centenas de milhares de arquivos, dos quais talvez
milhares sejam seus. No seu programa de correio, milhares de mensagens, podendo
haver outros milhares se você tem uma conta de correio no trabalho. No
supermercado, milhares de itens, dos quais você eventualmente compra dezenas. Ao elaborar uma tese ou monografia,
você terá
dezenas ou centenas de referências, sejam sites, sejam obras, que quando
lidos produzem milhares de idéias que você tem que trabalhar para atingir seu
objetivo. Se você exerce alguma liderança, pode estar às voltas com uma
multiplicidade de objetivos, pessoas, recursos, atividades e outros elementos,
que deve coordenar para as coisas funcionem minimamente bem. Em mapas mentais,
pode-se ter dezenas de subtópicos de um determinado tópico.
Se tivéssemos
memória absoluta, muito bem: faríamos o levantamento das coisas e pensaríamos o
que fosse necessário sem precisar de mais nada. Mas isso não é normal ou
esperável; o fato é que temos limites para o que conseguimos nos lembrar e
pensar em um
determinado momento. Podemos nos lembrar facilmente de três itens que temos que
comprar, mas não de 100. Esses limites geram o risco de esquecimento ou da não
consideração: algo é importante e está em nossa memória, mas não nos lembramos desse algo no momento
em que seria adequado ou oportuno.
No caso de coisas
concretas, como pratos e discos, o que fazemos é agrupar os objetos segundo
certos critérios e armazená-los de acordo. Por exemplo, tudo que for copo fica
naquele compartimento, o que for prato naquele outro, panelas em outro
ainda. Você deve certamente agrupar seus livros segundo algum critério:
por tema, por autor, talvez mais de um critério conforme sua conveniência. Isso
é o que é comumente chamado de organizar as
coisas.
E no caso de coisas
abstratas, como conceitos? O que fazer quando temos centenas ou milhares de
conceitos, que resultam em quantidade proporcional de idéias em sua mente? E se,
além de serem muitas, essas ídéias estiverem dispersas, fragmentadas,
desorganizadas?
Este artigo tem como idéia central mostrar que existem idéias que servem
para organizar outras idéias, de maneira análoga a objetos que organizam
outros objetos: as idéias organizadoras e seus conjuntos,
as classificações. Descrevemos também como idéias
organizadoras podem ser usadas em mapas
mentais para facilitar ou mesmo viabilizar o uso dos mesmos. São incluídas
também anomalias de organização de idéias, que podem confundir o pensamento
de quem lê.
O conceito essencial
Nesta seção é apresentado o conceito central deste artigo. Como preparação,
será feita uma analogia com objetos que têm a mesma função no mundo concreto.
Objetos organizadores
Quando você vai à padaria, tipicamente compra vários itens. No balcão,
pede ou pega vários pães e eles são postos em um saco de papel ou de plástico.
Pega um ou
mais frios, um ou outro tipo de pão, talvez aquela sua fonte predileta de prazer
alimentício. No caixa, os itens
são colocados em sacolas. Sacos e sacolas têm função eminentemente
organizadora: agrupam vários outros itens para facilitar seu transporte, por
vezes até viabilizá-lo. Sacos e sacolas são assim objetos organizadores.
No dia a dia lidamos com vários tipos de objetos organizadores:
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- clipes,
grampos e pastas
- espirais de encadernação
- caixas
- porta-trecos
- porta-CDs
- bolsas
- arquivos ZIP
- menu de programa (organiza itens de menu)
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Note que alguns dos objetos tem outras funções além da organizadora: caixas e
pastas protegem e facilitam o transporte dos objetos, arquivos ZIP mantêm juntos
arquivos compactados, panelas servem para cozinhar. Mas, sob a perpectiva de
organização, a finalidade essencial de tais objetos é tornar vários
elementos um todo. Por exemplo, vários pães são colocados em uma
sacola e assim são transportados em um só volume. Várias folhas de papel são
grampeadas e se tornam um caderno. Flores variadas são amarradas para se tornar
um buquê. Pense em como seria a vida sem objetos
organizadores.
Idéias organizadoras
No mundo das idéias, temos recurso análogo a objetos organizadores. Por exemplo, um planejamento é
formado por atividades, coisas que são executadas. Já etapas e fases
agrupam atividades em blocos. Ninguém executa diretamente uma etapa, mas sim as atividades
que constituem a etapa. Outro exemplo: ao se construir uma casa, há que se
desenhar plantas variadas, e isto é chamado de projeto. A palavra
‘projeto’ nesse caso agrupa algumas atividades que faz sentido manter juntas.
A idéia associada ao significado da palavra projeto é chamada idéia
organizadora, assim como as idéias associadas a etapa ou fase (às vezes
achamos interessante chamar tais idéias de idéias-clipe ou idéias-caixa). A
diferença entre idéia organizadora e objeto organizador é que uma idéia
organizadora é abstrata, é um conceito, só existe como um significado na mente
de alguém, enquanto que um objeto organizador é concreto, material, e assim possui
dimensões e peso e pode ser visto, sentido e movido.
(Veja que não dissemos palavra organizadora. Há símbolos
e há seus significados; o símbolo - palavra, expresão ou imagem - existe, mas o
seu significado só passa a existir quando alguém o interpreta. Aqui entendemos
que o significado é que faz o papel organizador)
Assim
como objetos organizadores, idéias organizadoras são muito comuns. Exemplos:
- Qualquer site da
web um pouco maior é dividido em seções, cada seção com seu conteúdo. Também
neste caso cada seção está associada a uma idéia organizadora.
- Livros podem ser divididos em capítulos. Cada
capítulo terá (esperamos) pelo menos uma idéia organizadora por trás dele.
- Em Português há o conceito de figura de linguagem: metáfora, analogia,
catacrese, ironia. As várias figuras são agrupadas em categorias: figuras de
sintaxe, figuras de pensamento.
- Os termos designativos de plurais representam idéias organizadoras: bichos,
meus pertences, gatos, felinos. Também o fazem os coletivos: alcatéia
(lobos), enxame (abelhas), biblioteca (livros). Quando você se refere por exemplo a "meus discos", está usando uma
idéia organizadora.
Idéias organizadoras são utilíssimas para que possamos trabalhar com maiores
quantidades de informação e conhecimento. Para dar um exemplo extremo, pense em como
seriam projetados e construídos por exemplo submarinos, porta-aviões e naves
espaciais – máquinas de extraordinária complexidade - se o planejamento fosse
uma simples lista não organizada de atividades.
Classificações
Em geral uma idéia organizadora não é suficiente. No caso de uma estante, é
preciso ter várias idéias organizadoras para acomodar os vários tipos de livros.
No seu armário de roupas isso também se aplica, assim como para as prateleiras do
supermercado e os capítulos de um livro. Temos então um conjunto de idéias
organizadoras que compõem um todo, e cada item a ser organizado tem um lugar no
todo. Esse conjunto de idéias organizadoras é chamado de classificação.
Classificar, neste contexto, é agrupar vários elementos em classes, tipos,
categorias, ou seja, idéias organizadoras.
Classificações estão também por toda parte. O conjunto de seções do seu
armário, as suas categorias de CDs e DVDs, as divisões de um caderno escolar. Na
Biologia, a classificação dos seres vivos em espécies, gêneros, famílias,
ordens, classes e filos. A tabela periódica classifica os elementos químicos .
Os capítulos de um livro e as seções de um site são classificações dos
respectivos conteúdos. No meio científico, tais estruturas
podem ser chamadas de taxonomias.
Você de vez em quando tem que lidar com a questão de definir uma
classificação. Por exemplo, estantes, armários de cozinha, caixas de ferramentas e
bolsas são estruturados, mas você é que tem que determinar o que vai em cada
compartimento, e então tem que não só classificar os objetos como também
produzir uma classificação - uma estrutura lógica - compatível com a estrutura
física disponível.
Um aspecto interessante é que uma classificação muitas vezes é
reutilizável: se você usa uma certa organização em seu armário, outra pessoa
pode usá-la para organizar suas próprias roupas e calçados. Considerando-se que
definir uma boa classificação nem sempre é imediato e pode requerer muitas
passagens, mudanças e evolução, dispor de uma boa classificação pronta para um
conteúdo é um importante fator de produtividade ao se lidar com
conhecimentos.
Níveis múltiplos e hierarquias
Quando você compra no supermercado, os itens são em geral colocados em
sacolas, que depois serão colocadas no carrinho para serem levadas ao carro. No
caso dos pães, por exemplo, eles estarão em um saco, que será colocado em uma
sacola, que será colocada no carrinho. Tem-se então um objeto organizador (saco) dentro
de um objeto organizador (sacola) dentro de um objeto organizador (carrinho), definindo assim
níveis
de organização: o carrinho, a sacola, o saco. Outro exemplo seria uma caixa de
bombons dentro de uma sacola dentro de uma caixa dentro do porta-malas.
De maneira análoga, idéias organizadoras podem estar dentro de idéias
organizadoras. Na classificação dos seres vivos tradicional, os reinos, filos,
classes e os demais definem níveis na estrutura. A
estrutura de diretórios de serviços de pesquisa da internet como o Google e o
Yahoo constituem outro exemplo de classificação nivelada. As pastas do seu disco rígido também. Esse tipo de composição
nivelada forma uma
hierarquia ou árvore.
Observe que uma estrutura hierárquica pode ter várias aparências diferentes
(figuras), mas a essência - a estrutura - segue um mesmo padrâo, caracterizado
por elementos ligados uns aos outros a partir de um elemento central e sem
ligações entre elementos de ramos distintos..

Múltiplas classificações
Considere as coisas que você tem para fazer. Dependendo de quantas
responsabilidades e objetivos você tem, podem ser muitas: coisas de casa, de
trabalho, hobbies, rotina, como ver e-mails. As coisas que você tem para fazer
compõem um conjunto que pode ser organizado de várias maneiras. Por exemplo, por
local: quarto, computador, centro da cidade, banco. Também pode ser organizado
por prioridade: urgentes, importantes e não importantes ou 0, 1 e 2.
Assim, pode haver várias classificações para o mesmo grupo de elementos. Qual
é a melhor? Bem, depende. Quando você está resolvendo o que fazer, certamente é
bom ter as atividades organizadas por prioridade, você vai querer fazer as mais
importantes primeiro. Mas, quando você está levantando as coisas que tem para
fazer, e nem tem prioridades ainda, pode ser melhor outro tipo de organização,
como por local. Por outro lado, pode ser que você esteja no centro da cidade e
tenha algo a fazer por lá que não é tão importante, mas você pode aproveitar a
oportunidade de estar lá para fazer logo, como devolver um vídeo na locadora.
Desta forma, ao classificar coisas, você vai querer respostas para as
perguntas:
- De quais formas posso organizar isto?
- Qual a melhor forma de organizar isto?
A escolha da melhor classificação está muito associada à forma como será
usada. Por exemplo, você pode organizar livros em ordem alfabética e isso define
que ao procurar um livro usará essa ordem. Se usa muito alguns livros, pode
deixá-los sobre um espaço da mesa para agilizar o acesso ao livro.
Efeitos de idéias organizadoras e classificações no
pensamento
Existem causas e efeitos. O efeito potencial de uma piada é fazer rir;
efeitos possíveis de alimentar-se podem ser nutrir-se e ter prazer. O efeito
desejado de estudar é aprender. Neste caso, em que há inteligência envolvida,
preferimos referir-nos a aprender como resultado, e estudar como ação.
Normalmente os resultados das ações é que constituem objetivos pessoais: você quer o
resultado "aprender", mas não necessariamente quer a ação "estudar". Quando você
faz uma vitamina no liquidificadorr, o que quer está ligado ao
resultado ou efeito proporcionado pelo processo de liquidificar.
Se conhecermos os efeitos de idéias organizadoras, e eles forem
interessantes, quando quisermos esses efeitos - ou seja, eles sendo nossos
objetivos - poderemos usar idéias organizadoras como um passo ou parte de uma
estratégia para conseguir o que queremos. Este é o propósito desta seção,
descrever potenciais efeitos de idéias organizadoras em nosso pensamento.
Efeitos de uma idéia organizadora
O que vem à sua mente quando pensa em "meus livros"? Se seus livros estão
todas em uma estante, é natural que você se lembre dela e de seu conteúdo. Se
você tem livros sobre a mesa, deve vir também uma outra imagem da mesa com foco
nos livros.
Agora, experimente pensar por alguns segundos em:
- "meus melhores amigos"
- "meus discos"
- "meus CDs"
- "meus DVDs"
- "as namoradas/os namorados que eu tive"
Note que um possível efeito de uma idéia organizadora em seu pensamento é trazer
lembranças. Dito de outra forma, acessar conhecimentos. Você não teria
pensado nessas coisas, o fez a partir dos estímulos proporcionados pelas
palavras.
Note também que isso não é um efeito propriamente de idéias organizadoras, e sim da
linguagem. Faz parte da interpretação da linguagem a captação de lembranças e
conhecimentos que vão constituir o significado do que você interpreta. Se alguém
lhe perguntar "o que fez nas últimas férias?", para responder você naturalmente
ativará lembranças relacionadas. Testando: o que você teve no café da manhã?
Qual foi o último filme que você assistiu? Qual é seu prato predileto? A
diferença quando as palavras usadas constituem uma idéia organizadora é que nos
induzem a buscar um conjunto de elementos relacionados ao significado da
idéia.
Ou seja, a grande
utilidade das idéias organizadoras, para os nossos objetivos, é servir de
canal ou filtro de acesso a experiências e conhecimentos. Note que há uma
semelhança desse processo com um serviço de pesquisa da Web como o Google: você
fornece palavras-chave e o Google lhe retorna possibilidades, a partir das quais
você escolherá as que melhor parecem relacionar-se ao que você está procurando.
Quanto mais genérica a idéia organizadora, potencialmente maior conteúdo terá, e portanto
será potencialmente menor a chance de que você acesse tudo que pode. Por exemplo,
pensar em "todos os meus dedos" deve lhe induzir imagens das mãos e dos pés, com
foco nos dedos - tudo que há para se lembrar. Já pensando em "meus
conhecimentos", você tem tantos que acessará apenas uma parcela deles, podendo
ocorrer até um bloqueio, não vir nada, por falta de um critério mais específico para
acesso à sua memória.
Efeitos de classificações
Se uma idéia organizadora tem o efeito de induzir o acesso a
conhecimentos, várias idéias organizadoras, na forma de uma classificação, têm o
potencial de induzir o acesso a vários blocos relacionados de conhecimento. Um
biólogo que domine a estrutura da classificação dos seres vivos têm à sua
disposição canais para seus conhecimentos sobre seres vivos. No seu caso,
conhecer a organização do seu armário lhe abre as portas para lembrar o que há
lá. Se você tiver certos "recursos" bagunçados, organizá-los,
classificá-los, vai facilitar sua localização e portanto seu uso.
Podemos sintetizar o efeito de classificar como sendo uma aplicação do
princípio de dividir-para-conquistar. Ao invés de lidar com um monte de
elementos sem ordem, eles são agrupados e cada grupo ou classe pode ser tratado
em separado, sem se perder de vista suas relações com o resto do todo.
Consideramos que um nome mais significativo para esse princípio é
estruturar-para-conquistar.
Note que essa generalização não é absoluta: se você pode se
lembrar onde está cada coisa
de que precisa, não precisa de classificação, como no caso em que sua mesa parece
bagunçada para as pessoas mas se alguém arrumá-la será um desastre!
Um
outro efeito ocorre no sentido inverso, do nível mais genérico para o mais
específico. Suponha que você seja solicitado a elaborar 100 perguntas para
entrevistar uma pessoa no polígrafo, o detector de mentiras. Se você não é do
ramo, talvez tenha um "branco": nada vem. Agora considere que há 2 categorias de
perguntas para o detector: de controle e relevantes. As questões de controle
visam calibrar as medições e são triviais, como "A lâmpada deste local está
acesa?". Claro que você sabe bolar perguntas de controle até de improviso. Os
efeitos da classificação são nesse caso lhe permitir perceber que de fato já
sabe executar parte da atividade e se concentrar no que não sabe.
Assim, quando uma classificação
é nivelada, os níveis compõem como que caminhos em sua mente, que podem ser
percorridos em qualquer sentido ou rota. Isso é semelhante a ter um mapa:
o mapa nâo é o território, mas é um modelo que o guia neste. Claro, isto só é possível quando você domina a
classificação em questão; se isso não ocorrer, tipicamente você usará um apoio
externo, como olhar para o móvel onde estão as coisas ou para uma representação
escrita ou desenhada da classificação.
Qualidade de classificações
Em uma classificação ideal, cada elemento tem o seu lugar na estrutura de
idéias organizadoras e não poderia ser colocado em outra. Essa característica
permite que determinemos a categoria de um livro, por exemplo, e imediatamente
saibamos em que local da estante ele está.
Agora, considere uma estante que tem grandes áreas para Português e Inglês e
também uma área de Dicionários. Onde seria colocado um dicionário de Inglês?
Pelos critérios de classificação, ele poderia ser colocado em ambas as seções.
Um exemplo real é o de um site com duas seções primárias: Ecologia e
Meio-ambiente, que no nosso pensamento são dois conceitos muito relacionados.
Esses são exemplos de
interseção de significado de idéias organizadoras. Os efeitos de interseções
de significado podem ser dúvida e confusão na inserção de novos elementos (onde
colocar tal elemento?) e na recuperação de um elemento (onde está?).
Outra situação potencialmente problemática é quando, ao inserir um novo
elemento, não há na estrutura uma idéia organizadora onde ele possa ser
encaixado. Talvez você tenha passado por essa situação ao tentar arquivar uma
mensagem de correio e não achar uma pasta apropriada.
Essas características que reduzem a qualidade de classificações e que
prejudicam seu melhor uso são chamadas anomalias estruturais. Em uma
classificação com anomalias, as idéias não se encaixam perfeitamente, os
significados ficam misturados e isso resulta em dificuldade de compreensão, desconforto de pensamento e
menor produtividade de aprendizagem e uso da classificação.
Outro exemplo concreto: um site de internet banking tem a ajuda
de página estruturada nas seguintes classes:
Objetivo
Horário de Atendimento
Condições de Uso
Descrição do Serviço
Observações
Custo do Serviço
Suponha que você quer saber o passo a passo para executar a
operação, suponhamos, uma transferência entre contas. Onde você procura? Talvez
em Descrição do Serviço, mas sem muita clareza. E o custo e o horário, não
seriam também condições de uso? E o que há em Observações? Essa estrutura
provavelmente confundiu a pessoa ou as pessoas que elaboraram o texto, que
fizeram por exemplo o seguinte:
- Os valores permitidos ("Pessoa Física: a partir de 15/09/06 mínimo de R$ 5,00 e máximo de R$ 1.500,00
por dia") estão tanto em Condiçõies de Uso quanto em Descrição do Serviço.
- O texto "Os agendamentos ou pagamentos efetuados em feriados nacionais e finais de semana
serão efetivados no próximo dia útil subseqüente ao da solicitação" está tanto
em Descrição do Serviço quanto em Observações.
Essas anomalias de classificação dificultam a representação e o
acesso à informação e, embora uma ocorrência individual não seja significativa,
uma grande quantidade delas acaba gerando grandes perdas de tempo e afetando a
qualidade dos processos que dependem da informação e do conhecimento
classificados.
Aplicabilidade
Entendemos que o valor de um conceito é melhor medido pela sua aplicabilidade
em situações práticas, isto é, sua utilidade. De fato, iniciamos este artigo
justamente por possíveis contextos de aplicação do conteúdo, a pretexto de
motivação para você continuar a leitura. Nesta seção relacionamos várias
aplicações do conceito de classificações, incluindo as já mencionados e usando
os conceitos descritos. Também vinculamos os conceitos a mapas mentais.
Aplicabilidade em geral
- Ao escrever textos mais longos, você deverá definir uma estrutura de seções
ou capítulos e seções, que constituirão idéias organizadoras estruturadas
logicamente, ou seja, uma classificação.
- Ao planejar, você terá uma série de atividades que serão agrupadas em
fases, etapas e possivelmente outros conjuntos.
- Ao definir como serão dispostos pratos, talheres, panelas e outras peças de
uma cozinha, você estará definindo uma classificação dos itens (além de mapear
essa classificação à estrutura física de armários). O mesmo se aplica a outros
tipos de armários e guarda-coisas, como armário de roupas, armários do banheiro e
estantes.
- Classificação de discos e fitas.
- Estruturação de pastas de mensagens de correio e de arquivos em disco.
- Estruturação de um site. Aqui há pelo menos três níveis: a estruturação de
conteúdo; para o programador, a estrutura de diretórios que abrigará as páginas;
para o designer, a distribuição dos elementos de uma página no espaço
disponível.
- Estruturação da hierarquia de uma empresa. Em uma área da empresa, a
distribuição de responsabilidades por entre os papéis.
De maneira geral, onde houver conteúdo semântico, haverá um
potencial de aplicação de idéias organizadoras. Como mapas mentais têm estrutura
hierárquica, há uma correspondência direta entre a aplicabilidade de idéias
organizadoras e a de mapas mentais.
Aplicabilidade em mapas mentais
Veja o mapa mental abaixo. Note que cada tópico de nível 1 contém uma idéia
organizadora: Recursos, Ingredientes, Preparo.

Os três tópicos de nível 1 formam um conjunto, um todo, que
contém o que é necessário para se fazer uma omelete, seja objetos, sejam
ingredientes, seja o processo que usa os objetos para transformar os
ingredientes no prato final.
Portanto, um dos usos de idéias organizadoras é, quando houver uma grande quantidade de
subtópicos em algum tópico, agrupá-los segundo idéias organizadoras. Isso pode
ser feito para um tópico ou para todo o mapa mental, conforme a necessidade e a
conveniência. Idéias organizadoras e seus conjuntos, as classificações, são de
fato um elemento estrutural e fundamental em um mapa mental ligeiramente maior.
Considerando-se que classificações são
reutilizáveis, boa parte de um mapa mental pode ser replicada quando apropriado.
Por exemplo, se você for mapear uma outra receita de culinária, pode usar a
estrutura do mapa mental da omelete como modelo, ganhando muito em
produtividade. Maior produtividade ainda resulta do fato de que idéias
organizadoras direcionam nosso pensamento; desta forma, quando você for mapear a
outra receita, a classificação lhe guia quanto aos conhecimentos a recuperar em
cada etapa. Por exemplo, se a receita for de arroz, primeiro você procura os
recursos: panela para o arroz, panela para ferver água, colher, travessa para
servir; depois, os ingredientes: arroz, temperos, e assim por diante. A
estrutura de idéias de uma classificação funciona como um mini-método de
recuperação de conhecimentos.
Aqui é útil também a distinção entre representação de idéia
organizadora e seu significado. Por exemplo, o tópico "Ovos"
isoladamente seria um
substantivo concreto, mas, no caso, ele representa uma idéia organizadora que
agrupa os passos do preparo dos ovos para a omelete. Isso ocorre porque em um
mapa mental, a representação de um tópico utiliza os tópicos superiores como
contexto. Como outro exemplo, em um mapa mental de coisas para fazer você
tipicamente não teria tópicos como
Contas
Conta de telefone
Conta de luz
Conta de água
mas sim
Contas
telefone
luz
água
Conclusão
O conceito de idéias organizadoras aparentemente foi introduzido por Tony
Buzan no livro The Mind Map Book. No entanto, esse conceito não foi aprofundado,
em particular com relação a anomalias estruturais. Neste artigo buscamos
detalhar e enriquecer seu significado de forma a ampliar e facilitar sua
ampla aplicabilidade.
O objetivo deste artigo não é ensinar, mas sim apresentar e
descrever, de forma que você possa avaliar a utilidade e a importância do
conteúdo. Na nossa metodologia de ensino, o processo de ensinar tem elementos
adicionais (veja
por exemplo a lição sobre
redução de texto), sendo que o curso referente a este artigo está em desenvolvimento,
incluindo habilidades cognitivas e conteúdos adicionais.
Não obstante, é concreta a possibilidade de você aplicar o conteúdo sem mais
atividades, como provavelmente já fez em tantas ocasiões.